Pareço ser forte, mas quando estou só num quarto escuro que eu mostro pras paredes quem eu realmente sou, o que realmente sou. Por trás de um sorriso tantas coisas estão escondidas, tantos sentimentos, tantas imagens, tantas lembranças.
A única coisa que me aliviava eram as lágrimas, e hoje nem isso eu consigo fazer mais. Parece que estou seca, parece que toda a emoção que eu tinha com coisas simples não existe mais. Sentimentos? Talvez de raiva de coisas banais, coisas tão sem sentido, que antes eu não me importava e hoje são tão grandes.
Amor? Talvez nem amor próprio eu sinta mais. Esqueci das coisas que me faziam bem, e hoje já nem ligo de estar sozinha em um lugar qualquer. Na verdade quanto mais longe de tudo melhor. Na verdade sendo sincera, algumas companhias ainda me agradam, poucas, mas agradam.
Eu sinto que mudei, e eu sei que essas mudanças são consequências das tantas “furadas” que eu já entrei. Tantas amizades falsas, tantos corações partidos, tantos amores de mentira, tanta MENTIRA em tudo.
Quantas pessoas já disseram que seriam “para sempre” e hoje o “para sempre” acabou? Quantas pessoas já não disseram que não partiriam, e hoje está tão longe que é impossível voltar mais? Quantas pessoas já disseram que estariam “lá” sempre, e deram as costas em quanto eu precisava? Quantas pessoas se disseram amigas e hoje não passam de meros conhecidos? Quantos pessoas já passaram em minha vida, conquistou seu espaço, construiu laços e se foram deixando apenas lembranças e muitas vezes feridas abertas?
Sim, eu mudei, hoje parece que estou camuflada em algo rígido, algo impenetrável. Mas isso tudo por medo, medo do que possa vir a acontecer, medo de quem possa chegar, e medo de tudo que possa me ferir…
As vezes coisas de repente nos marca tanto. Coisas que muitas vezes nem sonhamos em fazer ou ter.
Eu nunca sonhei, nunca pensei, nunca nada. Com você nada mesmo, nem mesmo imaginação. Mas foi, aconteceu, do nada, sem nem mesmo marcar nada, e foi bom. Simplesmente bom.
Sempre fui a marrentinha, sempre quis estar por cima da situação, e sempre foi assim. Não gosto, e nunca gostei de admitir nada, até mesmo pra mim mesma.
São tantas brigas por bobeira, tantas risadas avulsas, tantas palavras sem sentido e significado, ilusões. São carinhos trocados, beijos demorados e abraços apertados. Cafuné, puxões de cabelo, mordidas na bochecha, palavras ao pé do ouvido. Tesão.
A companhia nos faz bem, as discussões me tira do sério, os tapas na cara que irrita, os apelidinhos eu detesto. Mas tudo se transforma, pois antes de tudo existe amizade. É como aqueles melhores amigos que mesmo sabendo de toda a verdade, mesmo sabendo sabendo das coisas que acontecem estão ali, rindo de tudo a sua volta. É como aquelas pessoas que não ligam pro que vão pensar, e só pensam em ser feliz. É como as crianças que no mesmo momento em que estão brincando, bate um 5 minutos e rola a discórdia. É orgulhoso, é engraçado, é feliz, é amigo, é louco, é estranho, é esquisito, é invejoso, é cafajeste, é covarde, é tímido, “é paixão!?”.
Seja lá o que for é bom. Eu queria poder viver intensamente, sem parar pra ver o que acontece a volta.
E que seja assim em quanto dure. Intensa AMIZADE COLORIDA. {3